10 de março de 2004

Apoio

Um principio básico do Rugby, amplamente transmitido a outros no Rugby português, aliás, possivelmente até é visto como uma imagem de marca do nosso Rugby, julgamos nós!! Parece-me que se somos bons no apoio, não é no atacante, mas sim no defensivo... há sempre mais um chato que não larga!
No atacante alguns já vão sendo regulares, mas na minha opinião ainda estamos muito longe de ser bons... é uma questão de noção de jogo(poucos o têm).

Mas não quero entrar por aí, o que me parece, e quase sempre é assim, a culpa não é dos jogadores mas sim dos treinadores, pode ser também da sociedade... julgo que há algo errado quando transmitimos o conceito de apoio.

O apoio hoje em dia pratica-se colectivamente mas individualmente. Ou seja, já todos sabem o que é apoiar, é estar "atrás" do portador da bola, depois a bola há-de me vir parar às mãos, eu faço uma jinga-joga e se eu não conseguir passar há-de estar lá alguém para receber a bola. Certo?

Não. Errado. O sentido colectivo de apoio assim não existe... muito raramente essa forma de jogar não tem sucesso contra uma equipa coesa. (eureka!!! Pergunto-me?? Estará aí o segredo ou falha no resultado da final do campeonato do mundo: Inglaterra vs NZ).

Há que transmitir a noção de apoio colectivo. Isto é, a relação portador da bola - apoio tem que ser recíproca. O portador da bola tem que criar espaços para o apoio penetrar(esta concepção não pode pertencer únicamente aos ditos criadores de espaços, nomeadamente médios e centros), só assim uma equipa deixará de depender das suas individualidades para alcançar o sucesso.

Em Portugal já tivemos um bom exemplo disso (que eu tenha presenciado), O Cascais dos anos de ouro e anos anteriores.
Nos anos anteriores jogava como hoje se está a jogar em Portugal (cheio de individualidades com resultados fantásticos e jogos de encher o olho(hoje em dia isso é ímpossivel porque as defesas evoluiram muito mais rápido que o ataque), mas perdiam sempre contra equipas coesas e com fio de jogo (ex. SLB e CDUL)).
Quando começou a ganhar, o que mudou foi exactamente a concepção do apoio. Começaram a jogar uns para os outros e não uns com os outros.

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