27 de abril de 2006

Rugby Feminino

Devo dizer, desde já, que não estou muito por dentro do assunto. No meu clube não existe uma equipa feminina, o que me deixa ainda mais a Leste do tema. Mas bom, tentarei expor uma visão...

Julgo que o Rugby Feminino é importante para qualquer clube, tanto pela forma como as mulheres geralmente têm mais intensidade em entregar-se a uma causa, como a sua presença ser uma forte contribuição para um espiríto de clube saudável.

Em termos federativos, é uma oportunidade de financiamento e de exposição, para a qual esta ainda não abriu a pestana... não é um caminho fácil, mas à semelhança da aposta que é feita na SN Sénior masculina, algo no género poderia ser feito em termos femininos...veja-se o exemplo das Federações de Judo e Triatlo

A ver concretamente, julgo ser mais acessivel chegar ao patamar superior da modalidade com elas... Quem é que está lá?... As 5 nações + a NZ e EUA. Se houver outras que volumizem este grupo, digam-no, eu não sei!
Nos homens, a competitividade internacional é claramente superior, basta ver pela dificuldade em entrar no lote de 20 e tal nações do Campeonato do Mundo.

Agora, as mulheres portuguesas estão preparadas para levar o Rugby realmente a sério? Que têm paixão e entrega, todos nós sabemos... mas isso tambem têm os homens desde que se começou a jogar isto em Portugal!

A leviandade e paternalismo com que se leva o Rugby Feminino, não é também culpa das próprias jogadoras, ao permitirem e por vezes quererem que tudo continue como está?

Estarão dispostas a começarem a fazer os "sacrificios" que os seus companheiros de modalidade, fazem?

Atenção! Não estou a fazer nenhuma acusação. Estou apenas a levantar questões?

O querer de um, pode não ser o querer de todas

2 comentários:

Joao Peral disse...

" julgo ser mais acessivel chegar ao patamar superior da modalidade com elas".

Acho que esse facto é inegável. A prestação internacinal das grandes nações do Rugby é muito superior à nossa, mas nao é nem de longe o "fosso" que separa no Rugby Masculino. Ainda assim há imensos factores que têm que evoluir. É necessário rever os modelos da prova, mas acima de tudo é importante apostar no trabalho Internacional de XV, pois a Selecção de Sevens dá a muito pouca gente a oportunidade da experiencia e do conhecimento que esse trabalho tras.
Penso que o trabalho Internacional cria objectivos em quem trabalha mais "a serio" nas equipas, permitindo a "troca" de "núcleos sociais" por "núcleos desportivos" em que a força dinamizadora de uma equipa passam a ser "atletas"... esse é um salto necessário.
Com um trabalho internacional regular, a visibilidade é fácil. o Rugby Feminino "vende" bem em termos comunicativos por ser inesperado. E isso foi provado este ano com 2 anúncios de Televisao (um da Médis e outro da SIC notícias com o Tecnico), com um programa na Sport TV sobre o Benfica-Feminino e uma reportagem fotogáfica na revista Grande Reportagem sobre o Tecnico-Feminino. E isto sem um esforço federativo, apenas com a dinâmica dos clubes. Só por curiosidade, vi mais vezes na televisão a conquista do Título Nacional Feminino pela Escola Agrária do que este fim de semana a conquista do Direito.

É uma oportunidade que não se está a aproveitar... e a "moda" pode esmorecer por falta de incentivo e voltar a ser o "rugby das namoradas" o que depois levará novamente mais "n" anos a regressar ao ponto onde já se está neste momento...

Xica disse...

Olá,

bem, já jogo rugby ha 4 anos, e desde que comecei, que me dedico bastante - talvez até demais às vezes - a este desporto. Já participei em dois campeonatos da Europa. E devo dizer que tirando as V nações - nas quais se inclui a nossa vizinha Espanha, grande potência de rugby feminino - o rugby feminino na Europa tem o nível do nosso, embora, depois vejamos a nível de practicantes uma enorme diferença.
Quanto ao facto de estarmos ou não preparadas para levar o Rugby a sério, isso ainda não estamos. Para muitas de nós o rugby ainda é um passatempo, muitas de nós apenas começamos a fazer desporto quando começámos a practicar rugby. E depois há sempre o jantar, o fim de semana fora, os estudos.. Mesmo assim, a entrega e paixão é imensa em todas as jogadoras, só assim se compreende que continuemos todas as semanas e fim de semana sim e fim de semana não a levar "na cabeça", a esfolar pernas e a acabar no fisio. Já ouvi mesmo dizer que nós somos um terror para os fisioterapeutas, pois queremos é jogar e não aceitamos prazos muitos longos de recuperação.
Agora claro temos bastantes problemas a nível do rugby nacional. Um dos que eu acho bastante pertinentes é não haver definições no rugby feminino, é não haver regras certas, calendários certos, competições que começem com uma estrutura do principio ao fim quer haja desistências ou não, tudo para que o amadorismo não se torne ainda mais amador e por vezes até mesmo ridiculo. Depois claro temos vários problemas, como a falta de practicantes, de um campeonato ser disputada, devido a isso, com equipas de 12 elementos, a nossa estrutura fisica - somos umas autênticas pigmeus, comparadas com os outros países - o pouco apoio federativo, a arbitragem - mas este é geral - o pouco apoio dos clubes, a pouca cultura de rugby que há em Portugal entre muitos outros..
Mas creio que este ano o rugby feminino irá dar um salto grande, com toda a publicidade feita durante o ano. Pelo menos espero que sim..

Francisca Santos Silva